A lógica de Dirty Harry está cada vez mais na moda
Sexta-feira passada (22/07, dia do meu aniversário) o mundo assistiu a mais exemplos da estupidez contemporânea. No Egito, atentados terroristas mataram mais de 60 pessoas. O terrorismo tem agido de maneira sistemática em países centrais e periféricos. Já no Iraque, de tão cotidiano, está banalizado.
Na terra dos faraós: terrorismo ataca mais uma vez no Egito.
Na terra da Rainha
Em Londres a polícia matou o brasileiro Jean Charles Menezes, 27 anos. Porque? Porque ele correu. Quem não correria? A polícia londrina afirma que Jean estva com o visto vencido, embora a família negue essa informação. Seria um motivo. No entanto, a polícia o tinha como suspeito de envolvimento nos atentados terroristas.
Imaginem como deve ter sido a abordagem da polícia:
Dentro do trem a polícia avista o sujeito que estava vigiando há algum tempo. Esperam alguns momentos até confirmarem: sim, é ele. Os policiais estão tensos. Lembram-se das cenas da tragédia. È possível até que tenham perdido algum amigo ou parente nos ataques. Estão com raiva daquele homem. Querem trucidá-lo. Dão voz de prisão, estão armados.
É bom informar que a polícia londrina não usa armas, apenas em situações extremas e mesmo assim só deve atirar para incapacitar o suspeito. Jean se assusta, tenta fugir. É baleado uma, duas, três, oito vezes. Todos os tiros pelas costas.
Covardia, com toda a certeza. As pessoas no vagão, após o susto, devem ter pensado: bem feito, terrorista filho de uma puta! Quem sabe até chutaram seu corpo sem vida.
Nesse meu exercício de imaginação só uma coisa me escapa: como uma pessoa pode fugir de dentro de um trem em movimento?
Depois de que se deram conta da cagada que fizeram ainda devem ter pensado: mas porque ele correu?

Uma vida pela frente: Jean tinha apenas 27 anos
Esse não é o primeiro caso que a polícia londrina dá uma de Dirty Harry. Veja aqui um caso famoso e ainda sem solução.
Abaixo, algumas das declarações de brasileiros que vivem em Londres, retiradas do site da BBC:
"Foi estúpido correr da polícia. Qualquer outro policial faria a mesma coisa. Ele agiu suspeitamente e correu. O policial não teve culpa", disse o músico baiano Everaldo Ita Akbar.
"Mas nós viemos de um país sem tradição de guerra, não estamos acostumados com isso."
O cineasta Roberto Valente disse ter ficado chocado "porque foi um brasileiro", mas que "todo mundo é suspeito (em Londres)".
Na sua opinião, os últimos eventos em Londres têm relação com a participação do país na ofensiva no Iraque.
"Eles estão fazendo guerra no Iraque, estão matando um monte de inocentes."
Na opinião da faxineira Daisy Garrido, o que aconteceu "foi absurdo".
"Mas a cidade está em guerra. Ele não parou para a polícia. E eu quero me sentir protegida pela polícia.".
"Eu fico sentido porque ele é brasileiro. Mas se ele fosse um terrorista, como é que seria?"
A tradutora Edinha Carvalho, de Recife, diz que já morou em Israel e que não se assusta com o ocorrido.
"Eu não estou com mais medo. Já morei num país onde o terrorismo era pior. Para mim, isso é café pequeno."